Novo Testamento

Lázaro

O amigo que Jesus ressuscitou

Onde está na Bíblia
João 11–12
Época
século I

A história de Lázaro: adoeceu e morreu enquanto Jesus demorava de propósito, ficou quatro dias no túmulo — e saiu de lá quando ouviu o próprio nome.

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A ressurreição de Lázaro é o último e maior sinal registrado por João antes da crucificação. Mas o que torna o capítulo inesquecível não é o milagre — é a demora que veio antes dele, e o choro que veio no meio.

A casa de Betânia

Lázaro morava em Betânia, a menos de três quilômetros de Jerusalém, com as irmãs Marta e Maria. Era uma das poucas casas onde Jesus parecia realmente descansar.

Quando ele adoeceu gravemente, as irmãs mandaram um recado curto e cheio de confiança:

Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. (João 11:3)

Elas não pediram nada. Apenas informaram, certas de que bastaria.

A demora

A reação de Jesus é a parte mais difícil do texto. Ele disse que aquela enfermidade não era para morte, mas para a glória de Deus — e então João registra a frase mais desconcertante do capítulo: como amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

O "porque amava" vem antes do "ficou". A demora não foi apesar do amor; o texto a apresenta como parte dele.

Quando finalmente chegou, Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. Havia entre os judeus a crença de que a alma rondava o corpo por três dias; ao quarto, não restava qualquer esperança. O detalhe é proposital: não sobrou margem para dúvida.

As duas irmãs, a mesma frase

Marta saiu ao encontro dele primeiro, e disse o que devia estar repetindo havia dias:

Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. (João 11:21)

Foi a ela que Jesus fez a declaração central do capítulo — "eu sou a ressurreição e a vida" — e a pergunta direta: crês tu isto?

Depois veio Maria, chorando, e disse exatamente as mesmas palavras da irmã, caindo aos pés dele.

Com Marta, Jesus discutiu teologia. Com Maria, que chorava, ele não explicou nada.

Jesus chorou

O texto diz que ele se comoveu profundamente e se turbou. Perguntou onde o haviam posto. E veio o versículo mais curto de toda a Bíblia:

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Jesus chorou. (João 11:35)

Vale parar nisso. Ele sabia perfeitamente o que ia acontecer nos próximos minutos. Sabia que o luto ali duraria menos de uma hora. E chorou assim mesmo.

Os judeus que assistiam interpretaram de duas formas opostas, e João anotou as duas: uns disseram "vede como o amava"; outros perguntaram por que aquele que abrira os olhos do cego não impedira a morte daquele homem.

"Lázaro, vem para fora"

Diante do sepulcro, uma gruta com uma pedra por cima, ele mandou tirar a pedra.

Marta protestou com o realismo de quem já enterrou: Senhor, já cheira mal, porque é de quatro dias.

Removida a pedra, ele orou em voz alta — explicando que orava assim por causa da multidão presente — e clamou com grande voz:

Lázaro, vem para fora. (João 11:43)

E saiu o que estivera morto, ligado nos pés e nas mãos com faixas, e o rosto envolto num lenço.

A última ordem foi dada aos que estavam ali: desligai-o, e deixai-o ir. Ele voltou vivo, mas ainda amarrado — e a comunidade teve trabalho a fazer.

A consequência inesperada

Muitos dos que viram creram. Mas o Sinédrio se reuniu em pânico: se o deixarmos assim, todos crerão nele, e virão os romanos e tirarão o nosso lugar e a nossa nação.

Foi ali que decidiram matar Jesus. O sinal que dava vida a um homem acelerou a sentença de morte de outro.

E há um detalhe cruel no capítulo seguinte: os principais dos sacerdotes resolveram matar também Lázaro, porque muitos criam por causa dele. Ele virou alvo por estar vivo.

João o mostra pela última vez à mesa, num jantar em Betânia, sentado entre os que comiam com Jesus. Nenhuma palavra dele é registrada em todo o Evangelho.

O que a história dele ensina hoje

A demora é o coração dessa história. As irmãs avisaram a tempo, e a ajuda chegou depois do pior acontecer. Quem já esperou por um socorro que não veio no prazo reconhece o gosto daquele "se tu estivesses aqui".

O choro de Jesus é a outra metade. Ele não repreendeu o luto delas nem apressou a dor com a promessa do que faria em seguida. Chorou junto, mesmo tendo a solução no bolso. Isso derruba a ideia de que tristeza é falta de fé.

E a ordem final — desligai-o — diz algo prático. Lázaro saiu vivo mas envolto nas faixas de defunto. Nem tudo o que Deus faz numa pessoa dispensa mãos humanas para terminar de tirar o que ficou preso.

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