Antigo Testamento
José do Egito
Do poço ao palácio
- Onde está na Bíblia
- Gênesis 37–50
- Época
- c. 1900 a.C.
A história de José: vendido pelos próprios irmãos, escravo e preso injustamente, interpretou os sonhos do faraó e se tornou governador do Egito.
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A história de José ocupa treze capítulos de Gênesis — mais espaço do que a criação do mundo. É a narrativa mais bem construída do Antigo Testamento e talvez a mais clara sobre um tema difícil: como Deus age quando tudo dá errado por culpa dos outros.
O filho favorito
José era o décimo primeiro dos doze filhos de Jacó, e o primeiro de Raquel, a esposa amada. Essa preferência era escancarada: o pai lhe deu uma túnica especial que os irmãos não tinham.
Pior: José teve dois sonhos em que os irmãos e até os pais se curvavam diante dele — e contou os dois em voz alta. Tinha dezessete anos. A Bíblia não o apresenta como vítima inocente de tudo; apresenta um garoto favorecido e sem tato.
Os irmãos "não lhe podiam falar pacificamente".
O poço e a venda
Enviado pelo pai para ver os irmãos que pastoreavam longe, José foi avistado de longe. Eles decidiram matá-lo. Rúben convenceu-os a apenas jogá-lo num poço seco, planejando resgatá-lo depois. Enquanto isso, passou uma caravana e Judá sugeriu o melhor negócio: vendê-lo.
Vinte moedas de prata. Depois mancharam a túnica com sangue de bode e levaram ao pai, que concluiu o que eles queriam que concluísse e chorou o filho por décadas.
Escravo bem-sucedido
José foi vendido a Potifar, oficial do faraó. E aqui aparece a frase que se repete como um refrão em toda a história dele: "o Senhor era com José".
Ele prosperou como escravo. Potifar entregou a casa inteira à administração dele.
Foi então que a esposa de Potifar passou a assediá-lo dia após dia. A resposta de José não foi sobre medo de ser pego:
Como, pois, faria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? (Gênesis 39:9)
Ela o agarrou pela roupa; ele fugiu deixando a veste na mão dela — e ela usou a veste como prova de uma acusação inventada. José foi preso sem julgamento.
Segunda vez que uma roupa dele é usada para contar uma mentira.
Esquecido na prisão
Na cadeia, de novo: "o Senhor era com José", e o carcereiro o colocou como responsável pelos outros presos.
Dois funcionários do faraó foram presos ali — o copeiro e o padeiro. Ambos tiveram sonhos numa mesma noite, e José os interpretou: o copeiro seria restituído em três dias, o padeiro seria executado. Aconteceu exatamente assim.
José pediu ao copeiro apenas uma coisa: "lembra-te de mim".
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O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José; antes, se esqueceu dele. (Gênesis 40:23)
Dois anos inteiros se passaram.
Os sonhos do faraó
Até que o próprio faraó sonhou com sete vacas gordas devoradas por sete vacas magras, e sete espigas cheias devoradas por sete espigas secas. Nenhum sábio do Egito soube explicar. Foi aí que o copeiro finalmente se lembrou.
Tiraram José da prisão às pressas. Ele se barbeou, trocou de roupa e, diante do homem mais poderoso do mundo, começou negando crédito próprio: "Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó".
A interpretação: sete anos de fartura seguidos de sete anos de fome. E José foi além da pergunta — propôs um plano de armazenamento para atravessar a crise.
O faraó o nomeou governador do Egito naquele mesmo dia. Ele tinha trinta anos. Treze anos haviam se passado desde o poço.
O reencontro
A fome chegou também a Canaã. Os irmãos desceram ao Egito para comprar mantimento e se curvaram diante do governador sem reconhecê-lo — cumprindo, sem saber, o sonho de duas décadas antes.
José os testou por vários capítulos: acusou-os de espionagem, prendeu Simeão, exigiu que trouxessem Benjamim, escondeu uma taça de prata na bagagem do caçula. Não era crueldade gratuita — ele queria descobrir se aqueles homens ainda eram capazes de sacrificar um irmão.
A resposta veio quando Judá, o mesmo que sugerira a venda, se ofereceu para ficar como escravo no lugar de Benjamim, para poupar o pai.
José não aguentou. Mandou todos saírem da sala e chorou tão alto que os egípcios ouviram do lado de fora. E disse: "Eu sou José; vive ainda meu pai?".
A frase que resume tudo
Depois da morte de Jacó, os irmãos entraram em pânico achando que agora viria a vingança. José chorou de novo e respondeu com a frase que sintetiza toda a história:
Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida. (Gênesis 50:20)
Ele não disse que o que fizeram não foi maldade. Disse que foi — e que Deus, ainda assim, teceu algo bom com aquele fio torto.
O que a história dele ensina hoje
José passou treze anos entre a injustiça e a promessa. Nesse intervalo, foi traído por irmãos, caluniado por uma mulher poderosa e esquecido por alguém que devia favores.
E, em cada etapa, ele fez a mesma coisa: trabalhou bem onde estava. Foi o melhor escravo, o melhor presidiário, o melhor governador. Não ficou paralisado esperando a virada.
Se você está vivendo um capítulo injusto, a história de José oferece uma perspectiva rara: nem tudo que acontece com você é bom, mas nada do que acontece está fora do alcance de Deus para ser transformado.